Cartão de visita: guia completo para acertar na impressão

Um cartão de visita bem impresso costuma medir 9 x 5 cm, vem de um arquivo de 96 x 56 mm com 3 mm de sangria, em CMYK e com texto a pelo menos 4 mm do corte. Papel de 250 g ou 300 g e um acabamento coerente com o uso completam a decisão.
Um cartão de visita dá errado em poucos pontos previsíveis: arquivo sem sangria, cor montada em RGB, texto colado no corte, papel que não combina com o uso ou informação demais em pouco espaço. Este guia passa por cada decisão na ordem em que ela aparece, com as medidas e contas prontas, e aponta para os artigos que aprofundam cada assunto.
Use assim: decida o formato, monte o arquivo, escolha o papel e o acabamento, feche o texto e rode o checklist no fim. Se você só quer imprimir sem complicar, a página de cartões de visita traz o produto e a especificação de referência.
Qual é o tamanho padrão do cartão de visita?
O tamanho mais usado no Brasil é 9 x 5 cm, ou seja, 90 x 50 mm. Trata-se de um costume de mercado, não de uma exigência legal. A norma brasileira de formatos de papel, a NBR NM ISO 216, trata das séries A e B e, na descrição do catálogo, não fala em cartão de visita. O mesmo catálogo mostra a norma como vigente e traz um aviso de cancelamento, então confirme o status na ABNT se precisar citá-la.
Uma confusão comum é chamar 90 x 50 mm de formato de cartão de crédito. O cartão bancário segue o tipo ID-1 da ISO/IEC 7810, que tem 85,60 x 53,98 mm, medida reproduzida no Doc 9303 da Organização da Aviação Civil Internacional. A diferença parece pequena, mas muda o encaixe em porta-cartões feitos para cartão bancário: o de visita fica 4,4 mm mais comprido e quase 4 mm mais baixo.
Formato | Medida final | Quando usar |
|---|---|---|
Padrão brasileiro | 90 x 50 mm | Quase todos os casos |
Cartão bancário (ID-1) | 85,60 x 53,98 mm | Cartão que precisa caber em compartimento de cartão bancário |
Padrão americano | 88,9 x 50,8 mm | Arte recebida de matriz ou modelo importado |
Dobrado | 90 x 100 mm aberto, 90 x 50 mm fechado | Precisa de mais texto, como serviços e endereços |
Modelos estrangeiros costumam vir em 3,5 x 2 polegadas. Se você baixou um deles, ajuste para o gabarito da gráfica antes de diagramar. As medidas completas, com cantos, formatos alternativos e vertical, estão em tamanho de cartão de visita e margens de corte.
Como o arquivo precisa ser montado
A guilhotina nunca corta exatamente na mesma posição em todas as folhas. Por isso o arquivo tem três áreas, e cada uma tem uma função.
Área | Medida no padrão 9 x 5 cm | O que entra |
|---|---|---|
Arquivo com sangria | 96 x 56 mm | Fundos, fotos e faixas que vão até a borda |
Linha de corte | 90 x 50 mm | É o tamanho final, nada importante encosta aqui |
Área de segurança, com 4 mm de margem | 82 x 42 mm | Texto, logo, QR code |
A Adobe informa que 3 mm é o valor padrão de sangria, mas ressalta que alguns fornecedores pedem mais. Daí vem a conta: 3 mm de cada lado somam 6 mm em cada dimensão, resultando em 96 x 56 mm.
A margem de segurança não tem número único, e por isso sugerimos 4 mm como folga prática, confirmando com a gráfica. A razão aparece na NBR 5339, norma sobre tolerâncias de papel e cartão: segundo o resumo técnico da Target, para dimensões até 150 mm ela admite variação de 1,5 mm para mais ou para menos. Embora trate do formato do papel, e não do corte do seu cartão, ela mostra a ordem de grandeza. Uma variação dessas com margem de 1 mm comeria a letra.
Cor e resolução
Cor impressa se monta em CMYK, com ciano, magenta, amarelo e preto. A tela trabalha em RGB, que alcança cores mais vivas do que a tinta costuma reproduzir. Cores muito saturadas são as que mais podem decepcionar, então não julgue o resultado só pelo monitor.
Para fotos, a referência comum é 300 dpi no tamanho final. O próprio Canva descreve seu PDF para impressão como um arquivo de 300 dpi, com opção de sangria, marcas de corte e perfil de cor. Na conta, um fundo de 96 x 56 mm a 300 dpi precisa de cerca de 1.134 x 661 pixels. Uma imagem menor que isso tende a sair com aspecto borrado.
Formato de entrega
Peça à gráfica o formato preferido. Na falta de indicação, o PDF é o caminho seguro. A Datalogics explica que o PDF/X-1a aceita só cores CMYK ou especiais e exige fontes incorporadas, o que elimina duas fontes clássicas de problema. O passo a passo, inclusive no Canva, está em como fazer cartão de visita para imprimir em gráfica.

Qual papel e gramatura escolher?
Para a maioria dos negócios, um papel de 250 g/m² ou 300 g/m² resolve bem. A escolha do tipo de superfície pesa tanto quanto o peso: papel revestido deixa a cor mais fechada e papel sem revestimento dá tato natural, com tinta mais absorvida.
Gramatura é a massa do papel por metro quadrado. Com ela dá para fazer duas contas úteis. Um cartão de 9 x 5 cm tem 0,0045 m², então cada unidade em 250 g/m² pesa cerca de 1,13 g, e mil unidades chegam a 1,13 kg de papel. Em 300 g/m², o milheiro sobe para 1,35 kg. A diferença é pequena no frete, mas sensível na mão.
Dois avisos técnicos ajudam a não pagar por um número. Segundo o mesmo resumo, a NBR 5339 aceita 4% de variação na gramatura, ou seja, um papel vendido como 250 g/m² pode ficar entre 240 e 260 g/m². E a pesquisadora Anna Lúcia Mourad, no informativo do Instituto de Tecnologia de Alimentos, relata, em texto sobre cartão para embalagem, que a rigidez depende também da forma como as camadas são construídas. Dois papéis de mesma gramatura podem dobrar de jeitos diferentes, e por isso a amostra física vale mais que a ficha.
Se o cartão vai... | Escolha melhor | Por quê |
|---|---|---|
Valorizar foto e cor forte | Revestido, com brilho | A superfície segura a tinta e fecha mais a cor |
Receber anotação de caneta | Sem revestimento, ou verso sem verniz | Revestimentos dificultam a escrita |
Passar imagem artesanal ou natural | Kraft | A cor do papel entra no visual |
Andar muito em bolso e carteira | Gramatura maior e acabamento protetor | Menos desgaste nas pontas e na superfície |
O comparativo completo está em papel para cartão de visita: gramatura e tipo ideais.
Verniz, laminação ou nenhum dos dois?
O acabamento protege e muda a aparência, com um custo escondido: revestimentos atrapalham a escrita. O consultor de impressão Steven Waxman, no blog da Printing Industry Exchange, orienta deixar uma área sem impressão e sem revestimento onde for preciso escrever com caneta esferográfica, porque a tinta pode borrar.
Vale pesar também o lado visual. O guia de verniz da fabricante Sappi lembra que o UV mostra mais marcas de dedo e menos riscos, e que o acabamento brilhante deixa os pretos mais densos que o fosco. Em um cartão escuro, que passa de mão em mão, vale comparar os dois em amostra.
Na prática, a decisão é simples:
- Verniz total na frente: dá brilho e proteção por igual. O verso livre continua útil para anotar.
- Verniz localizado: cria contraste entre áreas brilhantes e foscas, normalmente sobre logo ou um grafismo. Exige um passo de produção adicional e arquivo próprio.
- Sem revestimento: indicado para kraft e para quem quer papel natural.
O cartão com preço de referência da Acessível Gráfica é 4x0, em 250 g, com verniz UV total na frente, em 1.000 unidades, por R$ 70,00. A diferença entre as opções, com os cuidados de arquivo, está em verniz localizado ou total.
O que escrever no cartão
A área útil de 82 x 42 mm é menor do que parece. Com texto em corpo 8 e entrelinha de 10 pontos, cada linha ocupa cerca de 3,5 mm, e a altura comporta no máximo 11 linhas sem logo, sem respiro e sem separação. Na vida real, cabem de 5 a 7 linhas confortáveis em uma das faces.
Uma lista enxuta costuma funcionar melhor: nome, função, empresa, um telefone, um site ou e-mail, e o endereço quando o cliente precisa ir até você. O verso serve para o que a frente não comporta, como serviços, mapa ou QR code. Como separar frente e verso por tipo de negócio é o tema de o que colocar no cartão de visita frente e verso.
Três situações pedem um olhar próprio:
- QR code: a Denso Wave, criadora do código, exige margem livre de quatro módulos em todos os lados. Em cartão de visita com QR code mostramos a conta do tamanho, o nível de correção e como testar antes de imprimir mil unidades.
- Profissão regulamentada: quem advoga tem regras específicas, com dados obrigatórios e vedações, reunidas em cartão de visita para advogado.
- Programa de carimbos: um cartão que precisa ser marcado a cada compra não pode ter o mesmo acabamento de um cartão comum. Veja como criar um cartão fidelidade.
Quando o kraft compensa
Papel kraft combina com padaria, cafeteria, marca artesanal e produto natural, mas cobra um preço visual. A tinta de impressão é translúcida e deixa o fundo aparecer, então cores claras somem e o branco simplesmente não existe sem tinta específica. A regra é desenhar para o papel: preto ou cor escura em áreas firmes e pouco degradê. A explicação com exemplos está em cartão de visita kraft.
Quanto custa e quantos pedir?
O preço de um cartão de visita depende de tiragem, papel, número de cores e acabamento, e o custo por unidade tende a cair quando a quantidade sobe. Por isso a conta certa olha o valor por unidade e o tempo até os dados ficarem velhos.
No preço de referência da Acessível, R$ 70,00 por 1.000 unidades, cada cartão sai por R$ 0,07. A partir disso, a pergunta útil é quanto tempo mil cartões duram no seu ritmo.
Cartões entregues por semana | Duração de 1.000 unidades |
|---|---|
5 | Cerca de 200 semanas, quase 4 anos |
20 | 50 semanas, quase 1 ano |
50 | 20 semanas, cerca de 5 meses |
100 | 10 semanas, pouco mais de 2 meses |
Se você entrega 5 por semana, dificilmente chegará ao fim dos mil sem trocar telefone, endereço ou cargo. Nesse caso, uma tiragem menor pode valer mais, mesmo com custo unitário maior. Para outras quantidades e materiais, o caminho é pedir um orçamento com a especificação em mãos: formato, papel, cores de cada lado, acabamento e quantidade.
Erros que custam uma reimpressão
Erro no arquivo | Sinal de alerta | Como corrigir |
|---|---|---|
Sem sangria | Filete branco em uma borda depois do corte | Estender o fundo até 96 x 56 mm |
Texto no limite do corte | Margem visualmente torta ou letra cortada | Recuar tudo para a área de segurança |
RGB no arquivo | Cor apagada em relação à tela | Converter e revisar antes de exportar |
Fonte não incorporada | Letra trocada ou texto deslocado | Incorporar fontes ou converter em curvas |
Imagem da internet | Logo com bordas serrilhadas | Usar vetor ou arquivo em alta resolução |
QR sem margem | Leitura falha ou demorada | Respeitar quatro módulos livres em todos os lados |
Telefone errado | Só aparece depois de pronto | Discar o número e abrir o site a partir da prova |
O último item é o mais caro e o mais fácil de evitar. Antes de aprovar, peça a outra pessoa para ler a arte, porque quem escreveu tende a ler o que imaginou. Aqui, a Acessível revisa a arte antes de imprimir e envia para aprovação online, mas a conferência do conteúdo continua sendo sua, porque só você sabe se o número está certo.
Checklist de 12 itens antes de aprovar
Passe por esta lista com o PDF aberto em 100%.
- O formato final é 90 x 50 mm, ou o combinado com a gráfica.
- O arquivo tem sangria nos quatro lados, com fundo até o limite.
- Textos e logo estão dentro da área de segurança.
- O documento e as imagens estão em CMYK.
- As fotos têm resolução suficiente para o tamanho impresso.
- As fontes estão incorporadas, ou convertidas em curvas.
- Texto pequeno está em preto só de K, sem mistura de quatro cores.
- Nome, cargo, telefone, e-mail e site foram conferidos letra por letra.
- O telefone foi discado e o site, aberto.
- O QR code foi lido em mais de um celular, na prova em tamanho real.
- O verso e a frente estão na ordem certa e com a orientação correta.
- Especificação confirmada por escrito: papel, cores, acabamento e quantidade.
Por onde começar
Se o tempo é curto, siga esta ordem: copie o texto em um arquivo simples e corrija, escolha 9 x 5 cm, use 250 g ou 300 g e decida o verniz pelo uso, pensando em anotar ou não no cartão. Depois monte a arte com 96 x 56 mm e margem de 4 mm, e exporte em PDF. Imprima a página em casa em escala de 100% e recorte: esse teste de dois minutos mostra se a letra está legível e se o QR code lê, antes que mil unidades fiquem prontas.
Perguntas frequentes
Qual é o tamanho padrão do cartão de visita no Brasil?
O mais usado é 9 x 5 cm, ou 90 x 50 mm. É uma convenção de mercado: não localizamos norma da ABNT que fixe essa medida. Antes de montar a arte, confirme o gabarito com a gráfica, porque carteiras e porta-cartões aceitam bem esse formato, mas tamanhos especiais podem mudar o corte.
Qual a melhor gramatura para cartão de visita?
Para a maioria dos negócios, 250 g/m² ou 300 g/m² dão boa sensação na mão. A gramatura sozinha não garante rigidez, que também depende de espessura e construção do papel. Se puder, peça uma amostra física antes de fechar um pedido grande e compare as duas opções.
O que significa cartão 4x0 e 4x4?
O primeiro número indica as cores da frente e o segundo, as do verso. Em 4x0 a frente tem as quatro cores do CMYK e o verso fica sem impressão. Em 4x4 os dois lados são coloridos. O verso livre ajuda quando você precisa anotar algo à mão.
Quanto custa imprimir 1.000 cartões de visita?
Na Acessível Gráfica, 1.000 cartões 4x0, em 250 g, com verniz UV total na frente, custam R$ 70,00, o que dá R$ 0,07 por unidade. Outros papéis, tiragens e acabamentos mudam o valor. Para essas variações, o caminho é pedir um orçamento com a especificação completa.
Posso mandar a arte do cartão de visita em JPG ou PNG?
Pode funcionar em alguns fluxos, mas PDF é o formato mais seguro. O PDF/X-1a, por exemplo, exige cores em CMYK ou especiais e fontes incorporadas, o que evita troca de letra e surpresa de cor. Se só tiver imagem, confira se ela tem resolução suficiente e sangria.
Fontes
- Adobe: como definir sangria de impressão no InDesign
- ICAO Doc 9303, parte 5: dimensões do formato ID-1
- Target: resumo técnico da NBR 5339, tolerâncias de formato e gramatura
- Datalogics: o que é PDF/X
- Canva: tipos de arquivo para download
- Denso Wave: como definir o tamanho do QR Code
- Instituto de Tecnologia de Alimentos: Cartão, gramatura ou rigidez?
- Printing Industry Exchange: quatro opções de revestimento protetor
- Sappi: guia de verniz e revestimentos
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